quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Menino das Rosas

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O Menino das Rosas

Por onde andou este espinho?
Que vento forte o arrancou do caule
para vir espetar-se neste bairro de lata?
As mãos feridas de sangue,
as rosas vivas e sem sede
bebendo do sacrifício das suas mãos
desabrochando de pétalas e perfume.
Às 4 da manhã,
cansado de percorrer a cidade
tentando vender as flores aos namorados
de um qualquer romance de insónia,
esta pequena rosa negra e murcha
desmaia de sono
sobre as pedras brutas da calçada,
plantando ramalhetes de dor
nos olhos infelizes da lua.

Que jardins fizemos deste mundo?
No qual as crianças morrem de fome e desamor,
as pequeninas mãos floridas
implorando que lhes comprem as rosas
que nem por milagre se transformam em pão. 

pg. 9, do meu livro de poesia "Redes"; Zaina Editores, 2009