sexta-feira, 12 de julho de 2013

NUNCA FECHES A PORTA

Bol'shoye spasibo chitatelyam, kotoryye sleduyut za mnoy v Rossii.
(Muito obrigado aos leitores que me acompanham na Russia)
NUNCA FECHES A PORTA

Quando partires
não feches a porta.
Deixa o teu coração aberto
de par em par,
sem trincos,
fechaduras,
cadeados,
ou qualquer ferrolho
que aprisione os teus sentimentos.
A vida é um perpétuo movimento
de portas que se abrem
e se fecham,
num rangido de sangue
que atravessa a soleira do dia-a-dia.

Não te feches,
porque mesmo as paixões mais quentes
íntimas e nuas,
podem não sobreviver
à maçaneta do tempo
que se abre para a solidão das ruas.
pão do Amor,
ferido,
quase nunca cicatriza,
após o golpe fino,
seco e esfomeado do ódio.
E a casa cheia de afectos,
facilmente é arrombada
pela gazua da desilusão
que trazes escondida na alma de ladrão.

Por isso,
 quando te fores
deixa a porta aberta,
porque podes querer voltar a entrar
no turbilhão desta vida,
de chegadas e partidas,
de finais e recomeços,
de prazer e de queixume,
de trancas de desejo,
de algemas felizes de ciúme.

Tudo é possível!
Se acreditares que existe sempre
uma porta aberta,
uma mesa,
uma cama,
uma casa,
uma Família,
onde podes voltar a entrar
e a ser feliz.

                                          Chamusca, 11/07/2013