sexta-feira, 17 de abril de 2015

A INFÂNCIA DO AMOR



Todo o Amor já teve a sua infância, quando um dia, inesperadamente, um simples olhar nos revelou um novo sentimento e a pessoa amada. As mãos húmidas e nervosas suando, a garganta seca de ansiedade, o rosto vermelho ardendo de inocência e de vergonha, o coração desesperado rebentando a socos a porta do peito, as ideias confusas e enternecidas se desfolhando na Primavera do corpo nascendo apaixonado.
Depois, sobreveio uma dor na alma inexplicável mas feliz. Palavras que de tão tímidas emudeciam na angústia e na silenciosa vontade de gritar. O sonho e o desejo do primeiro beijo roubado sem mácula e pecado. A paixão rabiscada nas carteiras das salas de aula; escrita e desenhada em amarrotados e anónimos pedaços de papel; grafitada nos muros, nas paredes, nas ruas; esculpida nos troncos das árvores, os corações latejantes de felicidade atravessados pela seta do Cupido, com a declaração: “I Love You, Eu Te Amo, Amo-te, Je t’Aime, Ich Liebe Dich”.
Este é o Amor explícito e apaixonado que vem desde o princípio da inocência do Mundo e como um eco repercutindo na alma do tempo, chegou até ao desejo pulsante e jovem dos nossos dias.
Mas, apesar de tudo, um Amor que nunca se repete. Porque os sentimentos são como grãos de pó, que se respiram no exacto lugar e momento do deserto da nossa sede de carinho. E o pergaminho das palavras de tão sensíveis e diferentes requerem uma nova linguagem, a língua comum e universal que precisa ser falada até ao infinito de todos os dias, no milésimo de segundo de todas as horas: “I Love You, Eu Te Amo, Amo-te, Je t´Aime, Ich Liebe Dich.”


quinta-feira, 2 de abril de 2015

(A)DEUS, ATÉ À ETERNIDADE



(A)DEUS, ATÉ À ETERNIDADE

        “És o Homem da minha Eternidade! Por isso me entrego ao coração de Deus! Sei que jamais aceitarias a minha ausência. Parto assim, enquanto dormes tranquilo na cama desfeita, pelos nossos corpos felizes, na derradeira noite de Amor.”
        Estremunhado, desesperado, paralisado pelo choque, sofrendo na incerteza de me encontrar ainda dormindo no interior de um pesadelo ou na dor da realidade!? O coração rasgando o caminho do peito, como um cavalo louco correndo em pânico, li e reli a mensagem que escreveste no guardanapo estendido sobre a torrada do pequeno-almoço, as palavras como nódoas escritas no enjoo da manhã.
        Partiste porque sabias que te amava! Que nunca, mas nunca te deixaria ir embora. Que se preciso fosse te prenderia, como um passarinho dourado, na gaiola do nosso apartamento.
        Decidiste! Entre o teu espírito e o meu corpo, escolheste a alma de Cristo! Senti-me traído e injustiçado porque trocaras a minha presença meiga e constante pela tua fé num milagre espiritual.
        Naquela hora, confesso, que te odiei. Porque não respeitaste o meu Amor e o maltrataste e me omitiste que o nosso relacionamento era apenas um estágio, uma preparação para conquistares no céu a Felicidade Eterna.
        Hoje, tantos anos passados sem sequer uma palavra trocarmos, sei que me amaste com a mesma devoção que dedicas à vida. Já há muito te perdoei e respeito a tua entrega, admiro e louvo o teu trabalho, quando leio notícias sobre ti ou te vejo na televisão, missionária em África, com as mesmas mãos apaixonadas, salvando vidas com a voluntária solidariedade do teu Amor.
      Hoje, que já nem és a Mulher/Amante da minha vida, sou somente aquele cada dia a ti mais dedicado, recebendo dos teus gestos de dádiva lições de humanidade. E quem sabe eu possa, assim, aprender a ser verdadeiramente um Homem e merecer nos encontrarmos como dignos Irmãos e Amigos, na PAZ e no AMOR da ETERNIDADE.