domingo, 28 de julho de 2013

POR ONDE ANDARÁS AGORA?




        
    A chuva batia com dedos grossos contra o vidro da janela, pedindo com urgência para entrar e se abrigar do tempo. Escutávamos o seu desespero rebentar em estilhaços que sangravam pela vidraça, com os nossos corpos molhados de saliva e de paixão.
        Naqueles momentos, recordo-me, não existia frio que gelasse a nossa nudez, nem temporais que impedissem os nossos encontros, urgentes e corajosos, capazes de enfrentar qualquer situação mais adversa ou violenta, com a paz feroz de nos amarmos.
        Havia sempre uma música suave a acompanhar a coreografia dos nossos gestos, na dança improvisada do desejo, e a cama era o palco ideal da nossa representação perfeita, verdadeira e feliz do Amor.
    Depois, tudo passou como um aguaceiro breve. Secou a terra dos nossos sentimentos e o que restou foi este pó que se agita, de quando em vez, no vento da memória.
       Por onde andarás agora? Pergunto ao violino que toca no interior do meu silêncio, aquele mesmo trecho que nos emocionava nos momentos apaixonados e infinitos.
       Por onde andarás agora? Que músicas escutarás na tua vida e em que braços dançarás a valsa do Amor?  

Comentários:

Amigo Carlos, um poema com muita saudade e nostalgia que adorei. Beijos com carinho.