terça-feira, 28 de janeiro de 2014

FAMÍLIA, O PRINCÍPIO DE TODO O AMOR



Vídeo contendo a entrevista que dei ao Programa E2, na rubrica "Um Livro Porque Sim”, sobre o livro "Sentenças da Vida", e que foi exibida na RTP2 em Novembro de 2009.




Este foi o meu 3.º livro, publicado em Agosto de 2009. Nele pretendo sobretudo apelar à consciência individual e colectiva do ser humano para os crimes que vai cometendo sobre os seus próprios filhos, para além da tragédia em que vai transformando a sua própria vida.


SÓ O AMOR PODE SALVAR! Esta é a mensagem que tento fazer sobreviver ao longo de vários testemunhos transcritos da realidade. Um Amor sincero, verdadeiro e honesto, que nos abra de par em par as portas da alegria e da casa fraterna, amiga, caridosa e essencial que é a FAMÍLIA


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

NU QUARTO


O QUARTO

O quarto é o espaço onde o ser humano vive mais intensamente o desejo, o sexo e o Amor, mas é igualmente o lugar onde mais se odeia, se sofre o desprezo e a humilhação e se soltam as discussões e as lágrimas.
O quarto é, certamente, a caverna mais estranha, inesperada e surpreendente que pisamos, por nunca sabermos o que ali pode suceder.
Num quarto, mesmo os corpos nus e ardentes podem ser subitamente estuprados por um violento golpe de frio que rasga as entranhas da alma.

Num quarto, a presença de duas pessoas nuas pode significar a sedução, a alegria e o orgasmo da paixão, mas também a frustração, a tristeza e a impotência insensível dos sentidos.

NU QUARTO

    «Os homens têm sempre a mania que sabem mais do que as mulheres! Que as dominam com o chicote do sexo e a mentira da ilusão do amor! Não é assim?»
Como é que queres que te responda a uma afirmação tão convicta, que torna inútil a tua interrogação final? Pensou dizer-lhe. Mas não ousou sequer defender-se, desculpabilizar-se por ser homem, atirar-lhe com as suas razões ou aceitar as dela.
(O momento tornou-se solene. Como se o quarto se tivesse transformado numa igreja e os corpos nus fossem estátuas sem sexo a decorar o altar religioso da noite.)
Ela era bela, mas não tinha pudor em usar a carne crua das palavras para esbofetear o desejo de uma forma cruel e feia. Talvez quisesse, antes de deitar-se com ele, saber que lado da cama e da vida ocupava aquele corpo masculino, para decidir se valia a pena entregar-se a um homem, ou expulsar da sua intimidade um animal.
Ele poderia abrir-se todo e mostrar-lhe que era igual a qualquer homem: um animal! Por vezes meigo e dócil e na maior parte do tempo envergando a pele da mais violenta e faminta fera. Mas para quê fazê-lo se ela era bela. Como mulher e como um animal, que rasga os dentes no desconhecido para proteger o seu instinto.


Assim era a visão cega daqueles dois seres nus, no jardim zoológico do quarto, presos no interior da jaula dos preconceitos humanos. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A VITÓRIA DO AMOR


Vinha de longe
o vento das gargalhadas
perseguindo a velocidade da bola.
Os olhos brilhavam
na manhã cinzenta,
como um raio iluminado de alegria
atravessando o coração da felicidade.
E eu tinha a certeza,
na brincadeira do jogo,
que havia um motivo
para rir e festejar a vida.
Estava ali com os meus filhos,
unidos pela esfera da Amizade,
correndo atrás do nosso círculo de sangue,
para encher de golos
as redes felizes
com a vitória do nosso AMOR!

       À FAMÍLIA, O PRINCÍPIO DE TODO O AMOR!


Chamusca, 6 de Janeiro de 2014

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

GAIVOTA


Ela vinha pela manhã,
fria
como a geada,
aquecer-se no carinho,
em brasa,
das minhas mãos.

Vinha,
varrida pelo vento,
açoitada pelas ruas,
trazendo pedaços de estrelas
e os restos da lua,
ainda acesos
no desmaiar da noite.

Vinha,
coberta pela espuma gelada
dos beijos do mar,
deitar o bico
no abrigo do meu peito
e sonhar ser gaivota,
sem asas quebradas
e penas de mulher.

Chamusca, 31/12/2013