quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Menino das Rosas

Bol'shoye spasibo chitatelyam, kotoryye sleduyut za mnoy v Rossii etot blog iblog "Corações da Chamusca "

O Menino das Rosas

Por onde andou este espinho?
Que vento forte o arrancou do caule
para vir espetar-se neste bairro de lata?
As mãos feridas de sangue,
as rosas vivas e sem sede
bebendo do sacrifício das suas mãos
desabrochando de pétalas e perfume.
Às 4 da manhã,
cansado de percorrer a cidade
tentando vender as flores aos namorados
de um qualquer romance de insónia,
esta pequena rosa negra e murcha
desmaia de sono
sobre as pedras brutas da calçada,
plantando ramalhetes de dor
nos olhos infelizes da lua.

Que jardins fizemos deste mundo?
No qual as crianças morrem de fome e desamor,
as pequeninas mãos floridas
implorando que lhes comprem as rosas
que nem por milagre se transformam em pão. 

pg. 9, do meu livro de poesia "Redes"; Zaina Editores, 2009

domingo, 28 de julho de 2013

POR ONDE ANDARÁS AGORA?




        
    A chuva batia com dedos grossos contra o vidro da janela, pedindo com urgência para entrar e se abrigar do tempo. Escutávamos o seu desespero rebentar em estilhaços que sangravam pela vidraça, com os nossos corpos molhados de saliva e de paixão.
        Naqueles momentos, recordo-me, não existia frio que gelasse a nossa nudez, nem temporais que impedissem os nossos encontros, urgentes e corajosos, capazes de enfrentar qualquer situação mais adversa ou violenta, com a paz feroz de nos amarmos.
        Havia sempre uma música suave a acompanhar a coreografia dos nossos gestos, na dança improvisada do desejo, e a cama era o palco ideal da nossa representação perfeita, verdadeira e feliz do Amor.
    Depois, tudo passou como um aguaceiro breve. Secou a terra dos nossos sentimentos e o que restou foi este pó que se agita, de quando em vez, no vento da memória.
       Por onde andarás agora? Pergunto ao violino que toca no interior do meu silêncio, aquele mesmo trecho que nos emocionava nos momentos apaixonados e infinitos.
       Por onde andarás agora? Que músicas escutarás na tua vida e em que braços dançarás a valsa do Amor?  

Comentários:

Amigo Carlos, um poema com muita saudade e nostalgia que adorei. Beijos com carinho.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

NÃO TENHAS MEDO

NÃO TENHAS MEDO


Não tenhas medo
do fantasma com lágrimas
que assusta a alegria
resistente dentro de ti.
Da caveira com dentes de ódio
que devora a tua alma
despedaçando em pedaços
a carne viva dos teus sentimentos.
Liberta-te desse véu
de ossos da mentira
e das grades da cela
da tua vida
torturada de medo
e abre-te ao espírito da luz
com o coração iluminado de esperança.
Não tenhas medo que digam
que és um vagabundo,
ou um louco,
por semeares a ternura
nos canteiros de pedra do dia-a-dia.
Vai,
corre,
sê doido,
despenteia as nuvens do sonho,
afaga as madeixas da ilusão,
não tenhas medo da loucura,
de viveres num pesadelo,
e jamais conheceres
 e acariciares o Amor,
que está plantado ali,
NÃO O VÊS?,
apaixonado e corajoso,
mesmo ao alcance da tua mão.

                                            Chamusca, 22/07/2013

domingo, 21 de julho de 2013

SIAMESES


SIAMESES

Agora que o teu corpo
se entorna pelo meu
numa transfusão feliz,
não há longes, 
nem distâncias,
nem tão somente ausência.
Existe um só corpo,
o nosso corpo.
Um só espírito,
o nosso espírito.
Não és só tu,
nem sou só eu,
somos nós.
Assim, como siameses,
mergulhados no leito
do nosso ventre gémeo, 
alimentados pelo cordão umbilical
do Amor.

                                                  Pg. 73, do meu livro de Poesia com o título "Redes", 2009, Zaina Editores.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

GRÁVIDO, O AMOR

GRÁVIDO, O AMOR

O nevoeiro cobria os olhos da janela,
como teias de açúcar,
onde o teu corpo nu
adoçava o olhar,
no sabor a desejo da manhã.

Admirei-te,
o girassol do rosto,
o voo dos dedos 
colhendo as maçarocas do cabelo,
a polpa da pele ruiva
cobrindo as suculências da carne.

Amei-te,
no cheiro a leite do silêncio,
no choro surpreendido do teu íntimo,
no balançar do berço do teu ventre.

O Amor era ainda, 
somente,
uma criança que crescia, 
feliz,
na infância do teu útero.

                                             Chamusca, 19/07/2013


terça-feira, 16 de julho de 2013

E SE O TEU AMOR MORRER?


Thanks to all the readers who follow me in the United States and throughout the world.
(Obrigado a todos os leitores que me seguem nos Estados Unidos da América e por todo o mundo.)

      Um agradecimento especial para os portugueses e para os brasileiros.


E SE O TEU AMOR MORRER?

Se um dia
deixares de costurar o carinho
no tecido do meu corpo,
o que irão ser meus sentimentos
senão farrapos
da alma desgraçada
e nua de um mendigo,
a viver de memórias,
que são como um estender de mãos
à caridade da esperança
e recolhendo-se feridas do vazio
com a pobreza do nada.

Se o teu amor
por mim morrer,
dá-me, por favor,
a esmola de um derradeiro beijo,
para que na minha boca
brote, eternamente,
a lembrança da saliva fresca
 do passado feliz,
do nosso imortal desejo.

                                     Chamusca, 15/07/2013

sexta-feira, 12 de julho de 2013

NUNCA FECHES A PORTA

Bol'shoye spasibo chitatelyam, kotoryye sleduyut za mnoy v Rossii.
(Muito obrigado aos leitores que me acompanham na Russia)
NUNCA FECHES A PORTA

Quando partires
não feches a porta.
Deixa o teu coração aberto
de par em par,
sem trincos,
fechaduras,
cadeados,
ou qualquer ferrolho
que aprisione os teus sentimentos.
A vida é um perpétuo movimento
de portas que se abrem
e se fecham,
num rangido de sangue
que atravessa a soleira do dia-a-dia.

Não te feches,
porque mesmo as paixões mais quentes
íntimas e nuas,
podem não sobreviver
à maçaneta do tempo
que se abre para a solidão das ruas.
pão do Amor,
ferido,
quase nunca cicatriza,
após o golpe fino,
seco e esfomeado do ódio.
E a casa cheia de afectos,
facilmente é arrombada
pela gazua da desilusão
que trazes escondida na alma de ladrão.

Por isso,
 quando te fores
deixa a porta aberta,
porque podes querer voltar a entrar
no turbilhão desta vida,
de chegadas e partidas,
de finais e recomeços,
de prazer e de queixume,
de trancas de desejo,
de algemas felizes de ciúme.

Tudo é possível!
Se acreditares que existe sempre
uma porta aberta,
uma mesa,
uma cama,
uma casa,
uma Família,
onde podes voltar a entrar
e a ser feliz.

                                          Chamusca, 11/07/2013

quarta-feira, 10 de julho de 2013

A MARÉ DO AMOR


A MARÉ DO AMOR

O pestanejar dos teus olhos,
lembra o céu debruado
pela filigrana de penas
das asas das gaivotas
esvoaçando entre o rímel
do olhar cinzento do céu.
As tuas mãos são como conchas,
abertas sobre as dunas,
beijadas pela saliva quente
que escorre do sol.
O teu corpo podia ser
uma estátua de areia
esculpida pelos dedos perfeitos
da ressaca das ondas.
Mas,
tudo isto são apenas metáforas
e analogias,
para te construir de poesia,
a ti, que és deste mundo
de carne e de desejo,
e que sabes a sal
e que em vagas de espuma
varres o areal do meu corpo
numa maré cheia de AMOR.


                                                                 Riachos, 09/07/2013

segunda-feira, 8 de julho de 2013

CRIANÇAS



CRIANÇAS


Pai, mãe, ser humano,
procura no fundo da caixa de brinquedos
da tua infância,
no profundo rio da tua memória,
o desejo, o sonho
e a ilusão que te foi mais querida
e volta a divertir-te,
a apaixonar-te
e a acreditar que podes voar
na tua inocência de pássaro azul,
livre como as asas do céu.

Monta o triciclo,
a bicicleta,
o cavalinho do carrosel,
ou o pequenino barco
que te embala no leito do rio Tejo,
e deixa-te levar,
alegre,
no vento suave
e na correnteza das recordações.

Deita a tua cabeça mansa e tranquila
na almofada macia e carinhosa
do colo dos teus pais
e dorme e sonha,
protegido pelos braços felizes do Amor.

Se por acaso conseguires,
por um breve momento que seja,
voltar ao templo da infância,
verás que a criança é a verdadeira fé
e oração da vida.
Descobrirás que o teu filho
é a mesma criança que já foste,
o futuro pintado a aguarelas
no rosto do teu velho mundo.

Por isso, jamais esqueças,
ama as crianças,
porque elas são o princípio de tudo.
Elas são o que semeaste
e a colheita dos teus sentimentos.

Luta por elas,
dedica-lhes a tua coragem,
as tuas lágrimas
e o teu sangue,
como se fosse a última coisa que fizesses na vida.

Ama-as,
porque só elas são,
verdadeiramente,
a razão do teu AMOR!


                                            Chamusca, 04/07/2012


sexta-feira, 5 de julho de 2013

POR FAVOR, NÃO MATEM OS VOSSOS FILHOS!


POR FAVOR, NÃO MATEM OS VOSSOS FILHOS!


       Assassinar os próprios filhos ameaça tornar-se um crime vulgar e banal. Vivemos numa sociedade corrupta, egoísta e desumanizada, onde a guerra económica despedaça os direitos humanos.
        Andamos desorientados e perdidos, cegos e surdos, a lamber as nossas feridas como cães maltratados. A Família, a verdadeira estrutura social, desaba como uma casa podre e desfaz-se em escombros e pó. 
As crianças são mais uns quantos números desvalorizados, neste problema de raiz quadrada estúpida e errada.
         Os pais, os progenitores, transformaram-se em genitais e espermatozóides, infecundos de sentimentos, que descartam os filhos com nojo, como se as crianças fossem o peganhento esperma de um preservativo, que eles não tiveram a sensibilidade e a inteligência de usar. Mentem, fogem, desaparecem, despedem-se dos empregos para não pagar os alimentos aos filhos e não contribuírem  para   a sua formação e educação. Vão para os tribunais discutir questões mal resolvidas de sexo, cama e ódios da intimidade, ignorando a dor desgraçada das crianças que geraram.
          Dito tudo isto, vá lá, provem-me que o Amor não é apenas uma faca, um revólver, uma cápsula de veneno, um fogo posto.
         Provem-me que esta realidade é mentira, ou somente um devaneio diabólico da minha imaginação, porque eu amo a minha Família e quero ser feliz.
          Provem-se, amem-se, ou odeiem-se, mas, por favor, NÃO MATEM OS VOSSOS FILHOS!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

MENINO

Menino


Deixa-me ver o mundo
com o teu olhar de estrelas
a iluminar o céu.
Deixa-me pedalar com alegria
na tua bicicleta de nuvens
saboreando em fatias
o prazer do vento.
Empresta-me por um breve momento
o brinquedo da tua vida,
para que eu possa ser simples
como o amanhecer dos dias
e voltar a ser eternamente feliz.


                                                                       Rio das Ostras, 18/07/2012


terça-feira, 2 de julho de 2013

HOJE VOU SER CRIANÇA

Hoje vou ser Criança


Hoje acordei
com o sonho velho de ser criança.
Vou soltar-me,
leve,
como um papagaio de papel
tricotando a bainha do céu.
Vou gatinhar ligeiro e suave
impulsionando os carrinhos
que aceleram pelo chão
e inventar lutas com bonecos
inofensivos,
como a paz pueril da imaginação.


Hoje vou ser livre
e correr atrás do vento,
de bola nos pés,
soltando gritos de vitória
a cada golo de liberdade.


Hoje vou esquecer-me que sou homem,
libertar-me das algemas da consciência
e lambuzar-me de todos os doces
numa gulodice infinita de ser menino.



                                                          Rio das Ostras, 24/07/2012