segunda-feira, 1 de setembro de 2014

MULHER PRESA SÓ À ESPERA




                  Tu és essa Mulher que abandonada espera a chegada do seu homem na noite infinita. Os olhos certos nos ponteiros do relógio, o coração batendo as badaladas do alarme.
            A tua cabeça é um carro desgovernado, acelerando pelo túnel escuro dos pensamentos, ameaçando um despiste nervoso, num acidente grave. Onde estará ele? Em algum bar jogando as cartas sobre a mesa, baralhando o jogo numa rodada viciada de álcool e fumo de cigarros? Deitado lado a lado com uma mulher mais bela, desejada e jovem do que tu, a quem ele entrega as suas carícias e a paixão que te nega?
            O tempo avança lento mas imparável pisando forte sobre a tua consciência dolorida. E pensas, envolta numa confusão de sentimentos, aquilo que deverias ou não fazer quando ele chegar com a sua cara enjoada e sem te dar explicações atirar a chave do carro para cima da bancada da cozinha e se fechar na casa de banho urinando e lavando o rosto, para de seguida ocupar a cama onde se comprime o teu corpo ignorado.
            Pensas e desesperas. Porque não sabes o que fazer. Atacá-lo e apedrejá-lo com a boca cheia de palavras agressivas? Calar a dor da solidão, porque ainda o amas? Planear uma forma de te vingares e o matares, vendo-o definhar lentamente com o veneno com que condimentas a sua comida? Ou libertar-te da prisão e de um carcereiro que tu própria criaste, com o medo de enfrentar uma nova vida e começar de novo?
            Pensas e por vezes tens a ideia doentia de mulher rejeitada, se não seria bom ele chegar explodindo de raiva, abusar do teu corpo e esbofetear-te, mostrando dessa forma que ainda és um objecto com alguma importância para ele?
            Estás sentada no sofá em linha recta com a porta, os olhos gastos fixos na fechadura e resistes à espera de te amares e seres feliz, sozinha com a tua auto estima, ou entre os braços de alguém que te respeite e te dedique todo o carinho que mereces, MULHER!