quinta-feira, 14 de agosto de 2014

GRÁVIDO, O AMOR

GRÁVIDO, O AMOR


O nevoeiro cobria os olhos da janela,
como teias de açúcar,
onde o teu corpo nu
adoçava o olhar,
no sabor a desejo da manhã.

Admirei-te,
o girassol do rosto,
o voo dos dedos 
colhendo as maçarocas do cabelo,
a polpa da pele ruiva
cobrindo as suculências da carne.

Amei-te,
no cheiro a leite do silêncio,
no choro surpreendido do teu íntimo,
no balançar do berço do teu ventre.

O Amor era ainda, 
somente,
uma criança que crescia, 
feliz,
na infância do teu útero.

                                             Chamusca, 19/07/2013