segunda-feira, 19 de maio de 2014

NO SANGUE CORRE-ME O TEJO

Justo é aqui agradecer (a exemplo do que já fiz com visitantes de outros países), àqueles que na Alemanha efectuam milhares de visitas a este blogue.



Devido ao trabalho e intervenções contínuas que tenho vindo a desenvolver no campo da escrita jornalística e literária, com a publicação de vários livros; de poemas e textos em blogues; participações em vários eventos culturais, como feiras do livro e recitais de poesia, e com reconhecimento deste labor quer por parte dos leitores, quer pelos órgãos de comunicação social aos quais já concedi algumas entrevistas, tive o prazer de receber o honroso convite, do Instituto Politécnico de Santarém, para colaborar no movimento de candidatura “A CULTURA AVIEIRA A PATRIMÓNIO IMATERIAL NACIONAL E DA UNESCO”, com a publicação de uma obra da minha autoria no seu caderno cultural n.º 5.
 “NO SANGUE CORRE-ME O TEJO” é um livro de prosa poética e de poesia, que tem por tema o rio TEJO, as nossas memórias, a nossa Terra e a vivência das Gentes da borda d’ água.
        O livro é ainda ilustrado com imagens fotográficas captadas por José de Jesus Bento Cabaço, Victor Gago e por mim.
A obra é patrocinada pela Câmara Municipal da Chamusca e está integrada no Programa Cultural da Semana da Ascensão. A sua apresentação ocorrerá no próximo dia 24/05/2014, pelas 17:45 horas, na Biblioteca Municipal da Chamusca e será efectuada por José Braz, professor na Escola EB 2, 3/S da Chamusca, descendente de Avieiros e homem com marcada ligação ao desenvolvimento social e cultural deste concelho.
A publicação deste livro/caderno tem igualmente como objectivo tornar a cultura, a literatura e a leitura acessível a todos, pelo que prescindi dos meus direitos de autor e os editores de obter qualquer lucro, sendo o livro vendido pelo preço estritamente necessário para cobrir os custos gráficos.
Perante este contexto e sobretudo o de valorização e admiração do TEJO e da existência social e cultural que o mesmo proporciona, numa correnteza que tenta desaguar nas margens do mundo, espero que através desta obra, “NO SANGUE CORRE-ME O TEJO”, possamos dar um mergulho profundo no rio da nossa alma.  

Aqui deixo um poema e uma fotografia (captada por Victor Gago) que fazem parte do livro/caderno:


SIMPLES SONS DA VIDA



A neblina cobre a manhã
com uma espécie de cortina,
espessa e fria,
caída entre os olhos e a paisagem.
Só o farol dos sons
orienta os navegantes do dia,
na sua azáfama ao longo do leito
rumoroso da vida.

Ouve-se o bater cavo da enxada
caindo num golpe seco
sobre a terra,
abrindo fendas e cômoros
onde as sementes e as plantas,
no futuro,
ganharão raízes, talos, troncos
e folhas,
e encherão os campos de viço.

Escutam-se os chocalhos inquietos das ovelhas
e o seu balir agitado
abocanhando a farta erva,
e o grito do pastor
chamando para o rebanho
alguma cabeça dispersa e travessa.

Por vezes sente-se o som de uma laranja
que já madura,
não resistindo ao peso do orvalho,
desaba do ramo da laranjeira
e cai redonda como uma pedra
quebrando o silêncio do chão.

Uma orquestra desafinada de pássaros
solta trinidos,
assobios e gorjeios,
tentando acordar o sol
que dorme, preguiçosamente,
entre a grossa camada
dos lençóis do nevoeiro.

Nas margens deste nascimento
lento e enevoado do dia,
é impossível não ouvir o rumor da água
que se embala na corrente,
que se perde e abraça no corpo dos salgueiros,
continuando a sua peregrinação
ao longo de gerações de sonhos,
memórias e afectos,
numa manifestação infinita
  de fé e sentimentos.