sexta-feira, 17 de abril de 2015

A INFÂNCIA DO AMOR



Todo o Amor já teve a sua infância, quando um dia, inesperadamente, um simples olhar nos revelou um novo sentimento e a pessoa amada. As mãos húmidas e nervosas suando, a garganta seca de ansiedade, o rosto vermelho ardendo de inocência e de vergonha, o coração desesperado rebentando a socos a porta do peito, as ideias confusas e enternecidas se desfolhando na Primavera do corpo nascendo apaixonado.
Depois, sobreveio uma dor na alma inexplicável mas feliz. Palavras que de tão tímidas emudeciam na angústia e na silenciosa vontade de gritar. O sonho e o desejo do primeiro beijo roubado sem mácula e pecado. A paixão rabiscada nas carteiras das salas de aula; escrita e desenhada em amarrotados e anónimos pedaços de papel; grafitada nos muros, nas paredes, nas ruas; esculpida nos troncos das árvores, os corações latejantes de felicidade atravessados pela seta do Cupido, com a declaração: “I Love You, Eu Te Amo, Amo-te, Je t’Aime, Ich Liebe Dich”.
Este é o Amor explícito e apaixonado que vem desde o princípio da inocência do Mundo e como um eco repercutindo na alma do tempo, chegou até ao desejo pulsante e jovem dos nossos dias.
Mas, apesar de tudo, um Amor que nunca se repete. Porque os sentimentos são como grãos de pó, que se respiram no exacto lugar e momento do deserto da nossa sede de carinho. E o pergaminho das palavras de tão sensíveis e diferentes requerem uma nova linguagem, a língua comum e universal que precisa ser falada até ao infinito de todos os dias, no milésimo de segundo de todas as horas: “I Love You, Eu Te Amo, Amo-te, Je t´Aime, Ich Liebe Dich.”