quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

GAIVOTA


Ela vinha pela manhã,
fria
como a geada,
aquecer-se no carinho,
em brasa,
das minhas mãos.

Vinha,
varrida pelo vento,
açoitada pelas ruas,
trazendo pedaços de estrelas
e os restos da lua,
ainda acesos
no desmaiar da noite.

Vinha,
coberta pela espuma gelada
dos beijos do mar,
deitar o bico
no abrigo do meu peito
e sonhar ser gaivota,
sem asas quebradas
e penas de mulher.

Chamusca, 31/12/2013