O silêncio,
como o badalo vibrante de um sino,
ecoa nos tímpanos mais remotos da Terra.
As pessoas são como pedras na paisagem,
as bocas cosidas pela inconstância do vento.
Os pássaros pousam sobre estas estatuetas,
tranquilmente empoleirados na rigidez triste
e silenciosa delas.
São poderosas as máquinas que constroem as palavras,
novas como um alfabeto de propaganda,
e geram nos corpos o medo da ignorância.
Por isso eles ficam inertes a tentar identificar,
de cabeças inclinadas,
o significado oculto desses sons.
A vida fica assim paralisada,
só à espera de entender esta linguagem morta.
O leite secando nas mamas infecundas,
a consciência balindo como uma ovelha mansa
e o amor tão intensamente silencioso
que não tem um gesto de expressão.
A alegria parece esquecida,
como um sentimento de ocasião.



