sexta-feira, 26 de agosto de 2016

NAS ASAS DO CÉU



Não sei se foram os caracóis das ondas despenteando o som da areia? O grito de uma criança aventurando os pezinhos no arrepio do mar? Um cão que passou correndo sacudindo do pelo as gotas salpicando sobre as minhas costas? Ou simplesmente o riso enternecido dos namorados que sobre as toalhas se abraçavam felizes?  Não sei qual deles teve o condão de me despertar? Mas sei que ao abrir os olhos, naquela cortina indecisa do tempo entre o sonho e a realidade, vi as tuas asas recortarem a praia e por breves momentos senti que voava nas penas do vento, tão leve como se não tivesse corpo, a alma tão livre e tão pura sentindo que não era humana e que somente como uma gaivota podia alcançar o céu.

Fotografia de Daniel Santos Oliveira (meu filho de 14 anos).